Trabalhar com o sistema olfativo é uma experiência não muito executado, pois na maioria das vezes damos mais valores aos efeitos visuais do que aos olfativos. O que não é verdade, cada sentido tem a sua importância na nossa comunicação com o mundo exterior no que diz respeito a sensações, emoções e até mesmo nos livrando de alguns perigos.
Uma das principais classes de substâncias responsáveis pela a interação com os receptores olfativos são as moléculas orgânicas da classe dos ácidos carboxílicos que possuem cheiro intenso, irritante e paladar azedo ou salgado e que às vezes causam náuseas e incomodo. Os ácidos de quatro a oito átomos de carbono têm odores desagradáveis.
O que causa esse cheiro ou odor ruim e qual a composição dessas substâncias?
Essas substâncias possuem funções orgânicas distintas, que tem uma maior sensibilização olfativa, como, tióis, éteres, ésteres, compostos aromáticos nitrogenados, mercaptanas, indóis, ácidos inorgânicos, aldeídos, cetonas e compostos orgânicos enxofre. Tais substâncias possuem certa solubilidade em água e, dessa forma, são facilmente dissolvidas no muco do tecido epitelial para que esteja em uma concentração relevante para ser detectada e identificada pelos quimiorreceptores.
As substâncias responsáveis pela liberação de odores para a atmosfera são geralmente gases inorgânicos ou compostos orgânicos voláteis, sendo os primeiros resultado da atividade biológica nos esgotos e fontes correlatas e os segundos derivados da presença de resíduos ou produtos industriais.
Estes compostos são originários da decomposição anaeróbia de compostos com alto peso molecular, especialmente proteínas, reconhecidas como causas do mau-cheiro do esgoto e de estações de tratamento em geral. Entre os compostos inorgânicos, a amônia (NH4) e sulfeto de hidrogênio (H2S), são considerados as principais causas do odor de esgotos domésticos.
Além de substâncias que não cheiram bem presentes na atmosfera, temos também algumas produzidas pelo nosso corpo.
· O chulé – ou bromidrose – é causado pela proliferação de bactérias que se alimentam de pedaços de pele em nossos pés e também do suor acumulado, já que elas gostam de ambientes quentes e úmidos. Depois de se alimentarem, liberam o ácido valérico (Quadro 1), que dá aquele cheirinho que conhecemos. Para evitar o chulé, basta lavar bem os pés, secá-los adequadamente, sempre variar um pouco os sapatos, além de selecionar meias de algodão, que permitem maior ventilação, reduzindo a ação das bactérias.
· O famoso cecê é formado nas axilas onde o cheiro é mais intenso e diferente de outras partes do corpo porque as glândulas sudoríparas desse local secretam um suor mais espesso, que contém proteínas e outras substâncias que são produzidas por bactérias, gerando os compostos malcheirosos. · O bafo de onça, também conhecida como halitose, se originam na boca, um ecossistema no qual vivem centenas de espécies de bactérias com diferentes necessidades nutricionais. Quando essa flora digere proteínas, podem ser liberadas substâncias que têm mau cheiro. Entre elas: gás sulfídrico, resultante do metabolismo anaeróbico (cheiro de ovo estragado), escatol (substância também encontrada nas fezes), cadaverina (associada à decomposição de corpos), putrescina NH2(CH2)4NH2 (1,4- diaminobutano ou butanodiamina) (à decomposição de carne) e ácido isovalérico, também presente no suor dos pés.
· O sêmem também não cheira bem, ele tem glicose e lactose, além de espermina, putrescina e cadaverina, substâncias que lhe conferem um odor repugnante. |
· O odor dos flatos provêm de pequenas quantidades de sulfeto de hidrogênio (gás sulfídrico) e enxofre e os mercaptanos livres na mistura. Quanto mais rica em enxofre for a dieta, mais desses gases vão ser produzidos pelas bactérias no intestino, fazendo portanto com que os gases cheirem mal ainda mais. O odor desagradável, porém, deriva de compostos do enxofre, como o gás sulfídrico.
Em geral a interpretação fisiológica de um odor implica em julgar o quão forte, agradável ou desagradável ele é. Odores desagradáveis estão associados a coisas desagradáveis. Embora um odor possa ser ou não tóxico, sua associação à decomposição biológica pode indicar algo? O que poderia indicar?
Retire do texto as principais características químicas que uma substância precisa ter para rapidamente percebida pelo nosso olfato.
1. SILVA, V. A. et al. Algo aqui não cheira bem... a química do mau cheiro. Química nova na Escola, 33(1), 3-9, 2011. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc33_1/01-QS9309.pdf> acesso em: 18. Ago. 2011.
2. Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-as-secrecoes-do-corpo-tem-gostos-diferentes > acesso em: 20. Ago. 2011.
3. Disponível em: < http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-sao-e-para-que-servem-os-fluidos-e-as-secrecoes-do-corpo-humano > acesso em: 20. Ago. 2011.
4. Disponível em: < http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/bom-fedor> acesso em: 20. Ago. 2011.